E nossos olhares ainda se encontram,
já não soltam mais faiscas como antes,
já não carregam mais o pecado,
nem as ansiedades das carnes ressem apresentadas...
Ainda assim se encontram,
num misto de saudade do que não foi e respeito que não é.
Se encontram desdenhosos, desiludidos e com cara de bobo.
Esses são nossos olhos,
apaixonando se sempre pelo que gostariam que fossem as coisas,
pelo que as coisa nunca são...
esperando mostrar o que queriam ser,
seguem nossos olhos esbarrando se,
comendo o mundo,
enfraquecendo, se tornando negros e cegos,
fechando se para todos e para o mundo...
o mundo não desenha o que nos vemos
o que nos vemos e que desenha o mundo.
031007

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